segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dorme a Cidade


“Dorme a cidade, resta um coração”
Restam tantos corações, silenciosos, batendo em cada canto da cidade e fora dela, mas também batendo por ela. Mas a cidade dorme. Mesmo com música alta, a cidade dorme. Mesmo com velocidade e tecnologia a cidade dorme. Mesmo com tanta hipocrisia, a cidade dorme. Com tanta corrupção e violência, a cidade dorme.
Mas tudo está diferente, é claro que o tempo passou, mas o que aconteceu com o que existia aqui, porque as pessoas te culpam se elas que te constroem? Mas não adianta perguntar por que Casa Branca ainda dorme.
Por que a respiração das frestas do paralelepípedo não serve mais? As pessoas não respeitam nem sua própria história e sem história as gerações novas nascem sem saber de onde vieram e onde estão? Onde gostariam de estar?
Quando ando pelas ruas de Casa Branca, eu sinto em cada casa, em cada árvore, no céu que nos protege uma necessidade de me mostrar, que não é só isso. O silêncio das pedras adormece a caminhada.
“Quando florescem os ipês” é quando começam a surgir corações silenciosos que sabem falar. E se preocupam. Onde há espaço? Há espaço de sobra não só no céu de Casa Branca, nem no seu horizonte sempre constante. Há espaço entre nós.
Quando florescem os ipês é hora de ir embora, mas quem diria que um dia todos voltam?
O Jabutipê talvez seja um espaço entre o céu e a terra, que fica no “ar”, mas se alimenta do que vem da terra. É um espaço para os apaixonados por nossa cidade. Só tentar acordar a cidade que dorme que faz parte de nós.
Ajude com o que você puder: um tijolo na parede, um desenho, uma árvore, uma idéia, uma foto, sua história, um pedaço de pedra, um violão, uma canção, vontade de fazer, de criticar, de pintar, de escrever, um verso ou só de nos apoiar.
Tanto faz, só não deixe de fazer e de pensar que Casa Branca... O que você quer para Casa Branca? O que você lembra? O que você viveu? É mais do que um convite, é uma passagem livre para o passado, presente e o futuro.
A idéia ainda é pequena, como uma semente, mas tenho certeza que pode se transformar num grande Jabutipê, o maior que você puder imaginar.

      Ana Júlia Carvalheiro 

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